segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Sim! A cobra fumou - 1944/1945




1945 - Prisioneiros alemães sendo conduzidos pelos soldados brasileiros. 

"Não será em vão o sacrifício de tantos bravos, nem terá sido inconsequente a participação do Brasil na luta destes dias por um mundo de justiça e liberdade", jornal O GLOBO Expedicionário de 8 de fevereiro de 1945.

O início:


Eu já sabia desde adolescente (nasci no final dos anos 60) que nosso país havia participado da Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados na luta contra o Nazi Fascismo. Era um assunto que sempre me interessava, pois era muito comum passarem filmes de guerra na TV. Claro que só contavam as histórias dos feitos dos americanos. No colégio, esse tema sempre que estudado em sala de aula era motivo de chacota, desmerecimento e piada, até por parte, acredite, dos professores. Diziam que as nossas tropas tinham ido à Europa para passear, fazer turismo, que chegaram no fim da “festa”. Eram tempos sem internet, lembra? Essa limitação nos impedia de realizar pesquisas sobre essa passagem na história da humanidade. 

Também devo meu interesse por questões familiares. Tive um tio, irmão de minha mãe, que foi enviado para o front na Itália. Além dele, meu avô paterno atuou diretamente no patrulhamento da costa do Rio de Janeiro e também ganhou sua medalha de guerra (ele terminou sua carreira na Marinha do Brasil como Almirante 5 estrelas, sendo a 5.ª por conta da sua participação na Guerra, o que foi considerado um feito para poucos no meio militar). 


Medalha barsileira concedida aos participantes da 2ª Guerra Mundial 

Uma curiosidade sobre a participação dele na guerra. Ele era um militar integrante do Corpo de Engenheiros Navais e a ele coube finalizar a reforma de um dos 3 navios contra-torpedeiros (C.T. Greenhalgh, C.T. Mariz e Barros e o C.T. Marcílio Dias), os quais iriam escoltar o transporte da FEB para a Itália em maio de 1944, conforme acordado com os americanos. Por estarem os 3 navios em fase de finalização de construção, foi detectado que a turbina do C.T. Greenhalgh estava com uma das peças (o mancal mantém estável o eixo da enorme hélice do navio quando esta está conectada ao motor) enferrujada, o que impedia utilização do navio. O mês era março de 1944, o que significava que o então Capitão de Fragata do corpo de Engenheiros Navais Dorval dos Reis somente dispunha de pouco mais de 30 dias para consertar o navio. Como ele tinha criado e patentiado um método revolucionário para fazer esta peça dois anos antes, ele o aplicou no navio, abandonando o método clássico norte americano. E deu certo. Conclusão: O navio foi colocado em pleno serviço dentro do prazo estabelecido pelo Ministério da Guerra e a FEB partiu na data marcada para à Itália, comboiada por Contra Torpedeiros brasileiros, tal como se havia inicialmente previsto. Finalizava assim o pânico que se abatia no Ministério da Guerra. 

Fico imaginando a tensão que ele deve ter passado quando da instalação da peça. E também no alívio que sentiu no momento que o técnico da General Electric (responsável pela montagem da peça no motor), segurando o lóbulo da orelha, exclamou usando uma forma de se expressar da sua época: "da pontinha"! (sic)

Fato é que o Brasil formou e encaminhou para o front de batalha uma Força Expedicionária com 25.000 oficiais e soldados. Além de atuarmos em terra, através da FEB (Força Expedicionária Brasileira), também participamos pelo ar, através de um grupamento de caças e de outro que fazia reconhecimento aéreo. 

A decepção:


Quando me aprofundei mais na nossa participação nos palcos europeus, descobri que o Brasil foi o único país da América do Sul a participar do conflito. Creio que tenha sido o único da América Latina também, pois o México somente encaminhou um grupo de pilotos, os quais seriam comandados pelos americanos, e a argentina participou através de voluntários que decidiram por conta própria atuar no conflito. Isso me trouxe a certeza de que eu tinha que buscar mais informações sobre nossa participação. Me perguntava sempre como foi isso, por que entramos, onde atuamos e por que nós brasileiros não damos a menor bola para isso?

A pior parte foi a pesquisa com o material existente. Se de um lado havia professores, colegas de sala e até mesmo alguma literatura reforçando a tese de que nossas tropas foram fazer turismo na Itália, havia também as edições que contavam a história como se nossas batalhas tivessem sido momentos épicos.

Infelizmente a minha geração, por incrível que possa parecer, foi cerceada de conhecer aquilo que costumo chamar de “O Brasil que dá Certo”.

Não que eu ache que a participação em uma guerra seja correta, mas, se você se informar sobre o que estava acontecendo no mundo naquela época, verá que nosso país escolheu o lado correto e deu sua contribuição para a humanidade, lutando pela liberdade dos povos e contra o autoritarismo, o racismo e a intolerância.

Brasileiros em ação. Longe de estarem fazendo turismo. Fonte: Arquivo Nacional.

Não terei a pretensão de tentar convencer ninguém sobre o brilhantismo da nossa participação no front, mas pela quantidade de homenagens agradecimentos e cerimônias cívico-militares que o governo e o povo italiano fez e ainda faz até hoje à FEB - Força Expedicionária Brasileira (há mais de 54 monumentos em terras italianas em homenagem à FEB), pergunto-me: será que, diferentemente do que os Americanos fizeram (massificação de sua participação), nós brasileiros, como parte do tal complexo de vira latas, nos esforçamos para denegrir nossa imagem e participação nos campos de batalha da Itália?











E se não tivéssemos atuado tão bem, por qual motivo os americanos agraciaram o 1º Grupo de Aviação de Caça da FEB com a sua condecoração mais honrosa (a Presidential Unit Citation)? 


Aqui mais uma homenagem na Itália. Em frente à placa que homenageia o Frei Orlando, sobre que comento mais abaixo. Fonte: www.familiamilitaronlibe.com.br 
Parecia que perderíamos muito tempo nesse projeto, mas a internet, quando bem usada, é um uma ferramente e tanto. Eu descobri que não estava sozinho nesse campo. Há vários grupos de interessados sobre o tema. Então pensei: vai ser legal demais ver e sentir isso de perto. 


Tropas americanas e brasileiras na Itália. Foto do Arquivo Nacional.
Escolhemos os principais palcos por onde nossas tropas passaram dando verdadeiro show de coragem e também de solidariedade. Desembarcamos na Itália, alugamos um carro e seguimos a história! Embarque nessa Conosco! 

A Missão da FEB:

A rota 64 ainda tá lá!
A missão dada aos brasileiros era desobstruir a Rota 64.

Para isso, era necessário a tomada dos pontos de observação e de contenção que existiam, como o topo do Monte Castelo, do Belvedere, e de outros tantos, pois além de terem uma visão privilegiada de todo o entorno, o inimigo tinha, como mostraremos mais adiante, absurda vantagem por estar no alto. 

Essa estrada era de grande importância para as tropas aliadas uma vez que serviria de ligação entre a região e a cidade de Bolonha. Os alemães sabiam disso e por isso tornaram a missão muito difícil de ser concluída.

Belo caminho. Calmo e tranquilo. Bem diferente de 1944/1945.

A estrada ainda existe e chama-se SS64. Ela corta a região e é muito fácil dirigir por ela. Além muito bem conservada, te leva a lugares lindos.


Fonte: Arquivo Nacional. 

Além disso, caso lograssem êxito, as tropas brasileiras teriam participação decisiva no impedimento da fuga das tropas nazistas para o norte da Itália, as quais pretendiam passar pelo passo de Brenner, atravessar pela Áustria a fim de engrossar as fileiras na própria Alemanha. A missão era retê-los o máximo possível.


A passagem de Brenner acima. Passagem direta pelos Alpes utilizada desde a época do Império Romano para invadir os povos do norte.


O Cenário da Guerra:

A defesa tedesca (como os italianos chamavam os alemães) era composta por linhas de contenção. Havia várias: Linha Arno, Linha Gengis Khan, Linha do Rio Pó e a Linha Gótica. Nossa viagem focou a região onde se localizava a Linha Gótica, um complexo de fortificações com 280 Km de extensão contendo muros, bunkers e pontos de observação que cortava o país de leste a Oeste, concentrou a última linha de defesa das tropas alemãs juntamente com os italianos integrantes da República Social Italiana (nome dado ao país após a ocupação nazista ocorrida em 1943), os quais ainda eram considerados aliados do Eixo, grupo formado por Alemanha, Itália e Japão. Quem quiser pode fazer um tour guiado.

Era ali que haveria o tudo ou nada tanto para os alemães quanto para os aliados, pois todas as linhas de defesa criadas pelo Eixo haviam sido rompidas e a própria Linha Gótica estava sendo empurrada para o norte, como se observa no quadro abaixo. Caso ela fosse furada, estaria aberta a passagem para a tomada da Áustria e do sul da Alemanha. 

Linha Gótica. Reprodução. Google Maps.

O Planejamento:

Diante de tanta informação, tive que fazer uma seleção criteriosa dos pontos mais importantes e que, ao mesmo tempo, ficassem adequados ao roteiro e ao tempo que dispúnhamos para a viagem.

Através de pesquisas na internet, consegui preciosas informações. Sites como o Portalfeb (www.portalfeb.com.br) e o Adiexitalia ( https://www.adiexitalia.org) foram uma mão na roda.

De posse das coordenadas (obrigado Exército Brasileiro!!!!!), iríamos precisar de um carro para termos liberdade e agilidade para visitarmos todos os locais relacionados no nosso mapa. Sim, tínhamos um mapa. Tal como nossas tropas em 1944, também iríamos precisar de um como parte do nosso planejamento para elaborarmos nossa estratégia. Pegamos o carro e iniciamos a viagem de verdade.

O "Desembarque" do Embarque Conosco:

Embora a FEB tenha "entrado" na Itália pelo porto de Nápoles, sul da Itália, o palco de operações se deu na Emilia-Romanha e na Toscana. Então tínhamos que iniciar nossa "invasão" por uma dessas regiões. Como nossa viagem de férias iria começar no sul da Alemanha, nós optamos por entrar na Itália pelo norte, mais precisamente em Bolzano, na região do Trentino. 

Desembarque de tropas brasileiras em Nápoles. Fonte: Revista LIFE / Arquivo Nacional. 

Essa bela cidade estará mais detalhada numa outra postagem. Aliás, iremos nos ater somente ao tema aqui proposto, ou seja, a passagem das nossas tropas pela região. Então, caso deseje mais informações sobre as cidades, iremos postar separadamente para não confundirmos os assuntos. 

Não foi possível seguir um caminho baseado na cronologia do caminho trilhado pelos pracinhas, porque o ponto final de nossa viagem deu-se na cidade de Pisa, justamente a cidade que recebeu nossas tropas bem no início da sua atuação na guerra. Ou seja, acabamos invertendo o caminho percorrido pela FEB.

Além disso, peço para usarem as coordenadas que indiquei com cuidado. Pesquisem no Google Maps antes usando-as juntamente com o Street View. Vocês verão que elas indicam a posição muito próxima aos locais comentados neste post.


Nosso Roteiro:


  • Bolonha; 
  • Neviano di Rossi; 
  • Ponto Scodogna; 
  • Museu Winter; 
  • Montese; 
  • Monte Castelo (monumento); 
  • Museu Lola Iola; 
  • Pistóia (Cemitério); 
  • Ponte Della Madaglena; 
  • Monterossa; 
  • Pisa. 
Começamos na cidade de Bolonha, ponto "A" no nosso mapa. Belíssima cidade, por sinal. 


- Cidade de Bolonha:

A cidade é conhecida pela culinária, mais especificamente pelo molho à bolonhesa. Mas ela tem vários atributos. A começar pelas sua torres medievais, as quais podem ser visitadas, basta você ter fôlego para subir os muitos degraus. Mas a vista da cidade compensa. Além disso, há diversos locais onde a arte e a arquitetura renascentista impera. (faremos um post sobre a cidade).

Ela fica na região onde a FEB atuou a partir de setembro de 1944, mas não foi libertada por tropas brasileiras, mas sim pelo V Exército Americano (os Regimentos da FEB compunham o V Exército). Aliás, essa cidade era a mais importante para os aliados devido a sua localização privilegiada e só foi tomada já no fim da Guerra. 

- Neviano Rossi - O Ultimatum da FEB:

(Coord.aproximada: 44.666N, 10.1533E)

Após pernoitar na cidade, acordamos cedo E fomos pegar a estrada para conhecer Neviano Rossi (Estrada Neviano de Rossi, 26, 43045 em Fornovo di Taro), local muito importante para o término da participação do Brasil na guerra. Foi ali que foi engendrado o plano de rendição alemã pelo padre de Neviano de Rossi, o qual foi oferecido ao comandante do Regimento de Infantaria Coronel Nelson de Mello.




O plano era alertar às tropas nazistas que não havia outra saída a não ser a rendição incondicional, pois, caso não houvesse aceitação, as tropas da FEB iriam atacar (Ultimatum). 

E tudo não passou de um grande blefe por parte dos brasileiros, pois o número de soldados do lado do Eixo era muito, mas muito maior que a dos brasileiros naquele momento.

"para poupar sacrifícios inúteis de vidas, intimo-vos a render-vos incondicionalmente ao comando das tropas regulares do Exército Brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercados e impossibilitados de qualquer retirada. Quem vos intima é o comandante da vanguarda da Divisão brasileira que vos cerca. Aguardo dentro do prazo de duas horas a resposta do presente ultimatum.” Nelson de Mello – Coronel Comandante do 6º RI."https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Fornovo_di_Taro

A igreja onde o padre Dom Alessandro Cavalli elaborou o plano de rendição alemã. 
Nesta igreja foi inciado o plano de rendição alemã.
Depois de idas e vindas (era cerca de 6 km a distância entre os dois comandos), o pároco Dom Alessandro Cavalli finalmente trouxe a resposta dos Alemães, a qual informava que iriam levar o para o comando superior as condições.

Pelo que se sabe, enquanto a resposta final não vinha, as tropas brasileiras, para pressionar o inimigo, iniciou um intenso bombardeio direcionado às tropas inimigas, o qual foi repelido. Logo depois, um trio de oficiais alemães apareceu para entregar a resposta ao ultimatum. O comando brasileiro não aceitou qualquer condição imposta pelo comando alemão, salvo a de natureza humanitária. 

- Ponto Scodogna - Local da Rendição das tropas do Eixo:

(Coord. aproximada: 44.739N, 10.191E)



Placa informativa. Olha a quantidade de soldados do Eixo que se entregaram ! Esse local, na verdade, foi onde fora assinada a rendição à FEB. Os soldados ficaram aquartelados em campos de prisioneiros nas cercanias.


O comando brasileiro, após consultado, autorizou aos Tenente Coronéis Lima Brayner e Castelo Branco - que viria a ser Presidente do Brasil durante a ditadura militar - a negociar com o comando das tropas do Eixo. 

O encontro se deu no entorno de Collecchio. Depois de muito negociar com o comando das tropas do Eixo - General Otto Fretter-Pico - finalmente as exigências brasileiras foram aceitas incondicionalmente, como afirmou o Tenente Coronel Castelo Branco.

"numa sala de uma vivenda de campo, fui apresentado a três oficiais alemães do Estado-Maior de uma Divisão. Pediram condições para a rendição. Dissemos que só podia ser incondicional. Falaram em honra militar e em princípios de humanidade… e aceitaram a rendição!

General Otto Fretter-Pico sendo levado pelas tropas da FEB. Foto do Arquivo Nacional.
A rendição incondicional, incluindo a entrega das armas, ocorreu em 29/04/1945 e teve uma repercussão enorme no QG americano, que comentavam: "A famosa 148º Divisão de Infantaria da Wehrmacht se rendeu inteira? Incondicionalmente? Impressionante como o brasileiro se vira." Foram 14.779 soldados italianos e alemães, milhares de cavalos, carros, armamentos e até dinheiro. Dizem que a fila para a entrega das armas durou horas.

Soldados alemães capturados pela FEB seguindo em fila para o campo de prisioneiros. Arquivo Nacional

Partimos ansiosos para o local onde de fato ocorreu a rendição. De posse das coordenadas seguimos para Collecchio, mais precisamente para Pontescodogna. 

O local indicado como sendo onde ficava a vivenda de campo, descrita por Castelo Branco, agora fica na beira de uma estrada, na Via del Curione, bem perto de Collecchio, num terreno demarcado com uma placa e com um marco de pedra com uma placa de bronze.



E pensar que nesse lugar nem estrada havia na época da rendição alemã, conforme descreveu o então Tenente Coronel Castelo Branco. O que antes era um descampado hoje é uma rodovia movimentada.

Visão por trás do monumento à rendição. E pensar que a rendição aconteceu aqui.

Olha o tamanho da fila de soldados presos!!!!

Depois de muita emoção, voltamos para a cidade de Bolonha. No dia seguinte partimos para o ponto B do nosso mapa.

- Museu Winter: (Coord. Aproximada: 44.325N, 11.3311E)


Deixamos Bolonha definitivamente para trás. Pegamos a Via Toscana para o sul e depois um atalho para o Museu Winter. Pela bela rodovia SP-65 chegamos ao nosso primeiro destino. Trata-se de um pequeno museu cuidado com muito carinho por um casal de idosos muito simpático (Sra. Patrícia e Sr. Humberto), os quais adoram a história da Segunda Guerra Mundial. Saímos da estrada e entramos na rua Via de La Chiesa. Era cedo e achávamos que tínhamos perdido a viagem, pois não havia qualquer sinal de movimento na rua. Paramos o carro e saímos. Vimos os pequenos prédios com as janelas fechadas. Vimos um prédio de 2 andares com uma garagem fechada e na parede uma placa em bronze.

Rosto de John Richardson Silva, primeiro piloto brasileiro abatido na guerra. Seu Thunderbolt P47 caiu nas proximidades. 

Me aproximei para ler e concluí que estava no lugar certo. A placa era uma homenagem ao primeiro piloto da Força Aérea Brasileira - John Richardson Cordeiro e Silva - abatido na Itália. Achamos interessante essa homenagem. Eis que de repente, um casal de idosos saem da porta ao lado da garagem e vem em nossa direção. "Buongiorno!" Falei de pronto. "Vedere Museu Winter!". Perguntamos num italiano macarrônico. A resposta foi: "Buongiorno! Si, e qui!" E lá foram os dois idosos abrirem a tal garagem. Nos apresentamos e descobrimos que nem o seu Humberto e nem a Dona Patrizia falavam inglês. A solução foi usar o Google Tradutor. Foi só abrirem a garagem que começamos a volta ao passado.


Na verdade o seu Humberto explicou que ele conseguiu o seu acervo procurando não só pela redondeza, mas também nas matas. 

Além disso, a garagem fica onde era guardado um tanque alemão Panzer.


No final ainda ganhamos um livro sobre a história do Brasil na guerra. Foi como ver a história viva através das lembranças de seu Humberto. 😀😀😀


Dona Patrizia e Seu Humberto. Além de simpáticos, dedicados demais à lembrança da Guerra. Próxima parada: Montese.

- Museu Histórico de Montese:
(coord. Aproximada: 44.2678N, 10.9390E)

Mais uma linda estrada. Quem sabe nossos pracinhas passaram por aqui também?
Saímos para conhecer Montese. A cidade que foi palco de uma das principais batalhas que a FEB enfrentou. Como se vê dirigir por essas bandas é mega tranquilo e aprazível.


Chegando nas proximidade de Montese já se vê a Rocca di Montese. Posição estratégica não é? 

Chegando à cidade de Montese, beirando a estrada encontramos esse mapa explicativo do que aconteceu em 1944/45. E em português.
Infelizmente, no dia que fomos ao museu, ele estava fechado. Li que eles têm um bom acervo sobre a passagem de nossos soldados, além de ser um lugar bem bacana. 😣

Dentro da murada da torre fica o pátio e o museu.

Aliás, para se ter uma ideia do conflito ocorrido ali, a batalha de Montese - ocorrida entre 14 a 17 de abril de 1945 - e a da tomada de Monte Castelo foram as mais sangrentas e importantes para o currículo de nossas tropas. Enquanto Monte Castelo demandou uma estratégia de perseverança e paciência para conseguir a conquista do topo da colina, a batalha de Montese foi casa a casa, prédio a prédio, corpo a corpo.

Os alemães acharam que a investida dos aliados aconteceria justamente em Montese, ponto importante de guarda e vigilância. Por esse entendimento, a artilharia alemã, juntamente com as tropas fascistas da Itália, despejaram uma quantidade absurda de tiros, bombas e morteiros sobre as tropas brasileiras. E mesmo depois que os alemães foram expulsos de vez da cidade, ainda havia o risco de levar um tiro de um dos vários franco atiradores que ainda estavam espalhados pela cidade. Levaram mais um dia para caçar um a um.

Cena que só víamos nos filmes americanos. Soldados brasileiros esperando o momento para atacar. 

Quando você está em Montese e olha as fotos da cidade quase totalmente destruída, você pode imaginar como as batalhas aconteceram ali. Ruas estreitas e prédios de no máximo três andares nos fazem imaginar o risco que nossas tropas passaram ao lutar de porta em porta, de casa em casa. Pela agressividade dos combates, quase todas as casas foram castigadas pelas bombas e pelas balas, obrigando um reconstrução quase que total da cidade. Segundo o Wikipedia, 74% das casas foram danificadas. Perdemos mais de 400 homens durante a batalha e o número de civis mortos passou de 180. 

E pensar que quase todos os prédios foram atingidos durante as batalhas. 

Mais acima da cidade fica uma pequena fortaleza (Rocca di Montese) onde em seu interior fica o pequeno museu histórico. 

Danificada após a batalha.
A torre do castelo fica dentro de uma pequena murada. Pelas fotos da época da batalha, ela ficou bem danificada. 
Reformada
E olhando melhor, foi muito bem recuperada. Pena que o museu que continha acervo da Segunda Guerra e em especial da FEB estava fechado (fomos no dia errado). Mas o horário dele é restrito e por isso não tivemos como checar o local e o acervo. Também não encontramos o horário na internet.

Na mureta que cerca a torre proporciona uma vista bem ampla da região, o que era de enorme valia para defesa do local. Por isso que os alemães "venderam" sua posição bem caro para nossas tropas.

Vista à partir da torre: privilegiada e estratégica . 

Uma descoberta bem legal foi o La Terrazza, um restaurante / hotel que fica colado a um belvedere e que recebem muitos brasileiros interessados pela FEB e, pasmem, ex combatentes que voltaram ao palco de guerra com familiares anos depois do fim da Guerra. 

O Simpático restaurante familiar guardava uma surpresa para os brasileiros.
Assim que entramos fomos recebidos pelo dono, o qual prontamente nos permitiu ter acesso a um livro enorme e pesado que continha em cada folha as impressões desses brasileiros que citei mais acima. Pude ler relatos verídicos de ex combatentes que lutaram exatamente ali, em Montese. Perdemos a visita ao museu, mas ler aqueles relatos me fez voltar em 1944/1945.
Sinceramente, ali me emocionei de verdade 😔😔.
A seguir, algumas cartas desses heróis.

Carta escrita por um ex pracinha. 

Claro que também deixamos nosso relato. Não como testemunhas da barbárie que tomou o local, mas como brasileiros emocionados pelo tratamento dado pelos italianos a nossas tropas como reconhecimento pela bravura contra os nazi-fascistas e pelo tratamento humanizado recebido.


Relatos de heróis! 


Dados da batalha:

  • Soldados brasileiros mortos / feridos: 426
  • Soldados Alemães mortos / feridos: 497
  • Casas destruídas: 74%
  • Civis mortos: 189



- Frei Orlando:

(Coord. Aproximada: 44.212N, 10.978E)

Pegando a estradinha novamente, encontramos mais um ponto importante da nossa passagem por Gaggio Montano. 
As placas em homenagem à Antônio Alves da Silva, o Frei Orlando, o qual era muito querido não só pelos pracinhas mas também pelos moradores da região. Ele é considerado como sendo o Patrono do Serviço de Assistência Religiosa 

Encontramos a placa indicativa do exato local do falecimento do frei.

Uma das muitas homenagens aos feitos da FEB. 

Frei Orlando era um dos religiosos que celebraram missas na catedral de Pisa (aliás, o único áudio que temos em solo italiano é uma gravação feita pela BBC de uma das missas nessa catedral). Por isso, a importância aos membros do corpo religioso que acompanharam nossos soldados (seja da religião que fosse). No fim do post comento a passagem por Pisa.

Frei Orlando morreu acidentalmente com um tiro que foi disparado por um Partigiani (membro da resistência italiana que lutava com os aliados). A comoção foi geral.

- Monte Castelo: 

(40041 Gaggio Montano) - Monumento Liberazione


As estradas além de lindas e ótimas para dirigir, são bem sinalizadas. 

Seguimos pela linda e agradável SP 623 e entramos numa estradinha de terra, margeada por pequenas plantações bucólicas, que nos levou ao imponente monumento de Monte Castelo. 


São dois enormes arcos voltados para o céu que se cruzam. O projeto é da artista e escultora Mary Vieira e objetivava deixar marcado para as futuras gerações o sacrifício de pessoas que lutaram contra o Nazi Fascismo. 


Em seu entorno podemos avistar várias colinas, o que nos permite imaginar como as batalhas aconteceram. Afinal, um terreno acidentado apresenta-se perfeito para posicionar artilharia pesada. E pensar que esse lugar tão calmo e silencioso foi palco de uma carnificina. Não falo somente pelo Monte Castelo, mas também pelos demais montes (Castelnuevo, Belmonte, Monte Castelo, Torre di Nerone e outros) que o cercam e que também foram cenários de batalhas intensas.

Depois de observar as cercanias tentamos encontrar o Monte Castelo e pelo Google Maps deduzimos que é o monte que fica atrás do monumento, ao lado direito quando se está de frente para ele.

Pena que a bandeira do Brasil que levei insistia em ficar dobrada....ventava bastante.

As batalhas de Montese e de a Monte Castelo foram verdadeiros testes para nossas tropas. Enquanto uma era caracterizada por luta corpo a corpo, casa a casa (Montese), a de Monte Castelo envolveu paciência e resiliência devido as peculiaridades da situação (afinal estávamos na parte baixa e os inimigos, na parte de cima). Não foi à toa que o alto comando americano passou a nos considerar como auto suficientes para a batalha, não requerendo mais supervisão.

A região era de suma importância para os aliados, pois significaria ter caminho livre para a cidade de Bolonha, daí todos os montes no entorno (Castelnuevo, Belmonte, Monte Castelo, Torre di Nerone e outros) estarem muito bem fortificados pelos alemães. E a missão dada à FEB foi tomar primeiramente Monte Castelo (também tomamos Castelnuevo logo depois).

A FEB penou para conseguir tomar de vez o cume da montanha, o que só aconteceu depois de várias tentativas (3 meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945). Como o tempo estava se esgotando para os aliados e o pico da inverno já havia passado, norte americanos e brasileiros se organizaram e deram início à Operação Encore, a qual basicamente dividia o conjunto de montes tomados pelos nazistas com suas temíveis metralhadoras MG42 (conhecida como Lurdinha, ela podia partir uma pessoa em duas com uma rajada de balas) em dois blocos: o americano e o brasileiro (Monte Castelo e Castelnuevo). Como dito mais acima, os americanos não coordenariam nossos passos nas batalhas. Teríamos que caminhar com as próprias pernas. Mas a relação entre os dois comandos melhorou muito e diante dos resultados brasileiros no front, nossas tropas ganharam respeito e, a seguir, responsabilidades.

Soldado brasileiro com metralhadora - Inverno de 1944-45. Frio de - 20ºC. (Fonte: Arquivo Nacional) 

Além da posição desfavorável de nossas tropas, já que a vantagem de se estar no alto em uma batalha é absurdamente considerável, ainda houve o fator climático, pois o inverno de 1944/1945 foi um dos mais rigorosos dos últimos anos, com direito à sensação térmica de -20º C. 

E não era só o frio que atrapalhava. A inexperiência em batalha, como também ao problema de comunicação com os americanos, atrasou muito nosso avanço. Para piorar os alemães haviam instalado mais de duas dezenas de pontos de artilharia pesada no topo do monte. Por isso essa batalha é emblemática para nossa história na Guerra. Isso sem falar que as tropas americanas estavam agindo nos montes vizinhos (a outra parte da Operação Encore) o que tornou questão de honra para nossos soldados e oficiais ganhar a batalha.

Pena que não há qualquer fotografia do topo do monte com nossos soldados segurando a bandeira brasileira como forma de informar aos demais soldados que a missão foi cumprida. 

Dados da batalha:
  • Soldados brasileiros mortos / feridos: 417
  • Soldados Alemães mortos / feridos: 23


- Museo Iola di Montese: 

(Coord. Aproximada: 44.246N,10.953E):



Seguindo nosso roteiro, pegamos a estrada e seguimos para o Museo IOLA. No caminho nos deparamos com farta sinalização. O problema é que tem que ter um plano para ser seguido, pois há muita coisa para ver. 



Só nessa placa indicativa de distâncias para várias cidades onde há ótimas opções de locais para visitar. 


Só a título de curiosidade, Porreta Termine era onde ficava o Quartel General do General Mascarenhas de Moraes, comandante das nossas tropas e o mais idoso também (61 anos). O prédio hoje existe e lá funciona um hotel. Já imaginou isso? Ainda existe. 

O Museo IOLA foi uma grata surpresa. Chegar lá e ver logo na entrada nossa bandeira, em destaque, ao lado dos aliados (EUA e Europa) foi inacreditável. Melhor foi ver o acervo. Ele fica ao lado da igreja de Santa Madalena.

Emoção e surpresa ao ver nossa bandeira na entrada. 

Paga-se para entrar e recebe-se os informativos sobre o museu. Na parte térrea, no lado esquerdo, há um pequeno museu que mostra como era a vida naquela casa no séc. XIX

Móveis da época da construção da casa que hoje abriga o museu. 

Na parte superior fica a primorosa coleção. Logo no fim da escada há peças nazistas. Bandeiras, fardas e armamentos (muitos) estão á disposição para admiração. Ali é possível comparar o equipamento de cada lado.

Tem também a temida metralhadora Lurdinha (MG42). Dizem que sua rajada de balas era tão poderosa que fatiava quem estivesse pela frente.


E pensar que boa parte desses armamentos foram usados contra nossos pracinhas.

À esquerda a famosa metralhadora Lurdinha (MG42). Bastava uma rajada de balas para fatiar uma pessoa. À direita, o troféu dos vencedores.

Outra grata surpresa é que há acervo das tropas alemães, italiano, brasileiras e americanas. O material exposto sobre as tropas americanas, comparado ao alemão e ao brasileiro, é descomunal. 

Uniforme de neve usado pela FEB.  Em destaque nosso símbolo.


Uniformes dos EUA e dos alemães. Compara com o nosso. Quanta diferença. 
Mas o acervo sobre a FEB é bem bacana. Dá para se ter uma ideia daquilo que usamos no front. E posso afirmar que, comparado ao que o americano usava, o nosso é bem inferior. Mais um ponto para nossas tropas, pois a impressão que passa é que se eles viraram com o que tinha.

Qual teria sido o Pracinha que usou esse capacete?
Muita coisa ali foi encontrada na mata mesmo ao longo do tempo. Outras vieram por doação.

Nossa bandeira no mesmo nível das grandes nações de hoje.

O que impressiona também é a fartura que os americanos quiseram demonstrar. Nada faltava. Havia variedade na comida, na sobremesa, doces, chicletes e nas bebidas. Ali percebe-se que eles estavam num degrau acima dos demais.


Os soldados americanos tinha acesso a diversos mimos. A fartura era marca registrada dos americanos


Muita coisa desse cardápio também fez parte do menu das tropas brasileiras. E aqui vai mais uma curiosidade: a comida que sobrava ou era destruída, como faziam os ingleses quando saíam de alguma cidade recém libertada, ou era distribuída, como faziam os americanos. Diferentemente dos dois exércitos, a FEB dividia seu alimento com à população faminta por onde ela passava. Isso justifica o carinho com que a Itália trata a nossa passagem durante a guerra.

Além de chicletes, refrigerantes, latas de comida, e muito, muito armamento.

Parte do armamento alemão. Destaque para a Walther PPK.
Pistolas Italiana. Destaque para as Berettas.



Na saída tem uma banca com edições sobre a guerra e, acredite, tem publicações sobre a FEB, o que não achamos aqui no Brasil.

- Pistoia (Cemitério de Pistóia):

(Coord. Aproximada: 43.945N, 10.943E) 

Deixamos o Museu de IOLA para trás se seguimos para o local do destino final dos nossos soldados que tombaram em batalha. 


O lindo cemitério brasileiro foi projetado por  Olavo Redig de Campos. Espetáculo!

Homenagem ao Soldado Desconhecido.

O local fica numa rua mega calma, tranquila, fácil para estacionar. É um lugar para contemplação e acima de tudo, de reflexão, pois o silêncio se faz presente. A pergunta que sempre vem à cabeça é: como a humanidade dita civilizada chegou a esse ponto?

Mas voltando ao cemitério, pois o tempo é curto e ainda há muito o que ver. O gestor do cemitério é um ítalo-brasileiro chamado Mário Pereira, filho de um ex combatente. O seu pai, seu Miguel Pereira, optou em morar definitivamente na Itália após o fim da guerra. Ele pediu para tomar conta do cemitério como uma maneira de "cuidar" dos seus companheiros de batalhas que perderam suas vidas, o que acabou sendo autorizado pelo governo brasileiro. O seu filho, Mário, continua fazendo tudo como seu pai fazia. Pena que não pudemos encontrá-lo, pois estava fora, no Brasil. Soubemos que ele costuma fazer uma palestra sobre o monumento. O casalzinho que nos recebeu no Museu Winter tentou contatar o Sr. Mário Pereira para que ele nos recebesse. O próprio nos mandou uma mensagem informando estar ausente.

O cemitério foi a moradia dos nossos soldados até pelo menos 1962, quando os corpos de 462 deles foram exumados e levados para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra, na cidade do Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo.
Atualmente a única sepultura usada é a do soldado desconhecido. Ela está onde há a chama eterna.

Onde ficavam as sepulturas dos nossos soldados. Adicionar legenda


- Ponte Santa Magdalena (Ponte do Diabo):

(Coord. Aproximada: 43.985N, 10.553E)


Ponte Del Diavolo ou Santa Maddalegna. Adicionar legenda

Essa ponte medieval tem uma interessante participação na guerra. Os alemães, na tentativa infrutífera de dificultar o avanço aliado, tentaram destruir a ponte com intensos bombardeios de sua artilharia. Foi por ela que as tropas brasileiras passaram levando armamentos e suprimentos para o front.

Atravessei e posso afirmar que ela é bem firme e estável. 

Mas, por que ela é conhecida como ponte do Diabo? Diz a lenda que o construtor, por estar muito atrasado para cumprir o cronograma da obra, fez um pacto com o diabo, o qual ficou de lhe ajudar para finalizar a obra e salvá-lo da vergonha. Para isso, em troca, o diabo queria ficar com a primeira alma da primeira pessoa que atravessasse a ponte.


A obra foi finalizada no prazo estipulado e o construtor tinha de cumprir o acordado com o diabo. Inconformado com o acordo, ele se confessa com o padre local, o qual o aconselha a manter o acordo e que, ao invés de deixar uma pessoa atravessar a ponte, que fosse um porco.

Depois da ponte ter sido atravessada pelo porco, o diabo, muito enfurecido, se jogou do alto da estrutura diretamente para o fundo do rio.

Lendas à parte, fato é que essa estória foi usada para acalmar os nervos dos soldados quando eles estavam para a travessar a estreita ponte, no meio de intenso bombardeio alemão. Ora, se nem o diabo conseguiu, os alemães conseguiriam destruí-la?

Embora estreita e de aparência frágil, ela suportou o tráfego de tropas, maquinário, suprimentos e tudo mais sem maiores problemas. 

- Cidade de Massarossa:

Grazie! Grazie! População de Massarossa agradece aos soldados libertadores da FEB. (https://www.eb.mil.br/

Massarossa é uma pequena cidade que tem muita importância para as tropas brasileiras. Foi uma das primeiras, senão a primeira cidade tomada dos alemães na Segunda Guerra. A cidade foi conquistada no dia 16 de setembro. Dia de muita festa, como é possível ver na foto acima.

Mas a festa não era só para a população local que acabara de ser libertada, mas também era para nossas tropas. Afinal era o Debut deles. 


Os norte americanos, no início da nossa participação, delegaram batalhas menos complexas. E o nosso batismo de fogo não poderia ter sido melhor. Na medida que os bons resultados vieram, ganhamos o respeito dos americanos, os quais passaram a deixar o planejamento bem como a execução por nossa conta mesmo.

Mais uma homenagem à FEB e seus feitos na Itália. 

-Pisa:


Como havíamos dito no início desse post, terminamos o passeio onde tudo havia começado para nossas tropas, Pisa. Embora parte das tropas tenham pisado na Itália pela primeira vez em Nápoles, foi em Pisa que houve o desembarque. É na cidade que tem a famosa catedral onde os soldados rezavam pedindo proteção para a perigosa missão que iria começar. Como dito mais acima, há uma gravação feita pela equipe inglesa da BBC dos nossos pracinhas cantando dentro da catedral acompanhados pelo som das bombas explodindo no entorno. Busque no YouTube que você ouvirá.

Catedral de Pisa., dedicada a ninguém menos que a Virgem Maria Ao fundo, a famosa Torre de Pisa. 

E eles não pararam em momento algum de cantar. Prenúncio do que viria pela frente. Afinal, todas as missões dadas ás tropas brasileiras pelo comando norte americano, ao qual éramos agregados, foram cumpridas com louvor, mostrando a grandeza dos soldados e por que não dizer, dos oficias também. 


Eu e a Torre de Pisa ao fundo.
Missão cumprida. 
Talvez por isso que a FEB tenha sido "convidada" a dar uma esticadinha na Europa. Sim, os aliados gostariam que ela fosse a responsável para., por assim dizer... "limpar" a Áustria do exército nazista, liberando-os para atuar mais na frente ocidental juntamente com os exércitos que desembarcaram na Normandia. 

Talvez por isso os italianos, sobretudo os mais velhos, ainda são gratos pela nossa ajuda durante nossa estadia lá, pela libertação, pelo carinho e pelo tratamento humanizado que nossos soldados deram.

Mas a ordem era para retornar para o Brasil e acabar com tudo o mais rápido possível. Pareceu-me que o governo à época, descontente pelo bom resultado conquistado (sim, muita ciumeira por parte dos militares que aqui ficaram e também por aquele que inicialmente foram favoráveis a que no aliássemos aos alemães ), queria logo acabar com essa estória toda o mais rápido possível.😡

Para quem acha que o Brasil foi enviado para um front considerado como secundário na guerra, sinto dizer que está enganado. Prova disso é que a 10ª Cia de Montanha do Exército Norte Americano, a qual havia sido criada com integrantes mega experientes em montanhas (esquiadores e alpinistas) para atuar no mesmo local que a FEB lutou, ainda existe. Sim! E eles têm essa passagem como o maior feito. Repare: nossos soldados sequer haviam visto neve e sequer haviam escalado montanhas. E fizeram tudo muito bem feito! 

Kaput (destruído, avariado, quebrado) , como falam os alemães. A FEB toma a Bandeira da 148º Divisão de Infantaria Nazista. Troféu que representa a vitória. Foto: eb.mil.br
















Quando ouvir falar que fomos para o combate despreparados, sem o uniforme e armamento adequados, tenha em mente que isso é mais do que natural. 
Lembre-se que os norte americanos, quando foram lutar na Europa, 20 anos antes, na 1º Guerra, foram treinados e armados pelos ingleses. E estes também tiveram que aprender a lutar, pois até então seu exército era exclusivo para agir contra revoltas populares em suas colônias. Então, só posso dizer que:


Distintivo criado pelo então Tenente Coronel Senna Campos a pedido dos americanos para que nossas tropas fossem identificadas. Como não tínhamos pensado nisso antes das tropas chegarem na Itália, o desenho foi apresentado e adaptado, agradando não só a tropa mas aos americanos do V Exército, ao qual os Smokers Snakes  (como passamos a ser chamados) estavam agrupados.

E não é que a cobra fumou!? 😉😄👏👏👏👏👏👏

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Dados da guerra:
  • Tropa enviada à Itália: 25.334 (FEB) + 42 pilotos de caça; 
  • Tropa envolvida nas batalhas: 15.069 (FEB); 
  • Mortos em guerra: 443; 
  • Feridos em batalhas: 1.577; 
  • Mortos no mar:1.055 (civis); 
  • Navios brasileiros afundados pelos alemães e italianos: 31; 
  • Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, 14.779 só em Fornovo di Taro, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e 4.000 cavalos;